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Vista do platô da Gruta Nossa Senhora de Lourdes, no Parque das Monções, no centro de Porto Feliz |
Há muito tempo atrás, existiu uma raça de homens como nunca mais se viu...heróis, bandidos, santos e demônios que flutuavam como pássaros pelas águas destes rios. Navegavam ao sabor dos ventos, que ao soprar em sinal de uma boa viagem, os batizou Monçoeiros...
Oh vento...que por muitas vezes me fez chorar; em que estrada me pusestes sob o açoite inexorável da certeza de uma vida melhor? Para muitos de nós nunca veio.
Oh rio... quantas histórias sem fim continuam a rolar como seixos no fundo de tuas águas... Fomos felizes às vezes, como todo homem um dia merece ser.
Celebramos as vitórias, lamentamos as perdas... Brincamos com o tempo, rimos dos perigos, mas aprendemos a agradecer cada dia que de novo víamos amanhecer.
Fomos abençoados pela mágica união que surgia entre os homens que dividiam o sofrimento, a dor... o medo.
Uma união, uma garra que nos fez descobrir o berço de nossa existência. Essa terra que alguém um dia chamou Brasil.
Oh vento, Oh rio... somos todos cúmplices de erros e acertos, pois em nome da eterna busca da felicidade interior ousamos navegar... navegar... E agora de volta, remando sob seu colo, sob a força contrária de suas águas e de seus ventos... misteriosamente nos sentimos felizes como nunca.
Descobrimos que felicidade é ter um porto onde ancorar, é ter um porto só seu, e poder chamá-lo de feliz... Porto Feliz.
Texto: Emílio Fontana Filho